Um Rosebud só meu

Reflexão sobre a busca pela vida ideal, desejos, rotina e o encanto que pode desaparecer quando o extraordinário vira cotidiano.

Publicado originalmente em fevereiro de 2025 em marcomilani.medium.com

Já é dia 10 de março, terceiro dia de folha de pagamentos e de grande fluxo de caixa no ano. Topar com alguma foto da viagem a Paraty na memória do celular e nas redes sociais ainda me leva pra outra frequência. A água transparente ondulando suave e farfalhando sobre as pedras da rua, o mar ao fundo e uma casinha colonial. As luzes da noite amarelando os casarões e refletindo nas poças do calçamento. Que lugar incrível!

Me vêm a mesma pergunta que me fiz, anos atrás, quando conheci a casa da Marcela, em Ilhabela. Lá é como morar naquele Rosebud particular que eu não comprei na infância. A Vanessa me deu um parecido, que conseguiu comprar num desses sites da China, depois. Ela é mesmo incrível, não é? Não se encontra outras mulheres lindas, inteligentes e sensíveis por aí. Que conseguem apreciar uma viagem a Paraty para além dos lookinhos e das selfies. São poucas, realmente.

Mas a conversa sobre a casa da Marcela era: É possível viver num lugar tão bonito assim? A princípio é, claro. A Marcela mora lá. Mas será que continuou sendo tão bonito depois que ela morou? Meus olhos não ficariam acostumados a tanta beleza, meus ouvidos a tanta tranquilidade e minha pele a tanta suavidade da brisa marinha? Sabe, depois do costume aquilo perder o brilho, perder o viço?

Ainda não cheguei a essa resposta. Já pensou, morar em Ilhabela ou Paraty, ainda com a Vanessa? Existe coisa tão boa nessa vida? Enquanto não descubro, vou vivendo o “não posso reclamar” do cotidiano. Daqui a uns anos, eu volto aqui pra responder.

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